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Baixe agora: 1º capítulo do meu livro

09 junho 2012
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Conheça o livro 'Você Pode Guardar Um Segredo?', do autor Pedro Guerra, um romance policial que narra a história de Christine Reed, uma jovem que trabalha em uma loja de fotografia, no Condado de Greenpack. A jovem tinha uma vida simples e sem graça, até que começa a receber de um fotógrafo anônimo algumas imagens contendo mensagens cifradas que passam a fazer todo o sentido para ela. Nelas, um segredo, que parecia ter morrido, é ressuscitado.
Para entender a razão pela qual o seu segredo está em jogo, ela precisará descobrir quem se encontra por trás de tudo isso. Ao mesmo tempo em que tenta desvendar este mistério, Christine conhece John Gray, um homem que aparece com o intuito de preencher o vazio em seu coração. Mas será que ela deve confiar neste homem que surgiu na sua vida? Desvende este mistério e encontre os suspeitos junto de Christine.

“Christine concentrou-se nas inúmeras gotas de chuva que caíam contra o vidro, chocando-se com intensidade moderada. Eram tão estúpidas e burras, assim como ela. Vagavam livremente após soltarem-se das nuvens, e então acertavam o vidro em cheio, escorrendo depois, sempre no mesmo caminho. Não podiam ultrapassá-lo. Assim como ela. Seguindo no mesmo caminho após o choque contra o seu próprio ‘vidro’. Se pudesse ter o evitado…”*
*trecho extraído do livro

Démodé

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Trabalho até tarde neste velho emprego que não vai me levar a nada. Espero terminar o dia unicamente para passar no banco e sacar o que tenho, todas aquelas economias de alguns pares de meses. Jogo tudo no fundo da mala, cubro com roupas para não correr o risco - como se fosse conveniente usar esta palavra exatamente agora. Fecho a porta com cuidado e então estou na rua tão fria que o peito queima. Esta noite eu decidi ir atrás de ti.
Cruzo sinais vermelhos porque aqui fora não há ninguém - aventurar-se nas ruas depois das duas da manhã é tarefa de espírito (ou quem sabe nem eles existam nessa cidade esquecida?). Dirigindo contra o vento, organizo ideias do jeito que posso. Rabisco mentalmente alguns planos que certamente não darão certo, mas ainda desejo tentar. No porta-copos, as 200ml de café não conseguem oscilar tanto quanto eu e tu já o fizemos: dois jovens em busca do 'felizes para sempre', sem nem mesmo terem escutado o 'era uma vez...'. E eu ainda posso me lembrar de quando tua melhor amiga disse que eu não te amava de verdade. Mas que mentira! Ela não sabia era de nada. Enquanto todos julgavam a nós, tu habitava minha cama todas as noites. 
Até ontem. 
Porque, agora, eu e tu já nos tornamos démodé. 
Até esta noite.
Resgatar-te-ei para que saibas o quanto sinto tua falta. Estão aqui, então, todas as minhas economias reunidas para te visitar outra vez. Como vai você? O que tem feito? Sente aqui para conversar comigo. Quem sabe eu e tu não voltemos repaginados - dessa vez podemos ganhar novas cores, porém seguiremos a mesma tendência. Sei que saíremos de cena novamente, logo logo. É sempre assim. Porém, enquanto eu e tu estivermos na moda, faça com que a minha volta renda uma boa capa - o nosso amor estampado todo mundo vai querer igual.

Garotas de 12 anos

05 junho 2012
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A mesa da cozinha hoje esteve vazia logo cedo, pois sendo domingo eu decidi manter o meu ritual de tomar café na cama. Não que bolacha recheada seja uma maneira muito correta de se começar o dia, porém o fiz. Beberiquei um gole daquele chá de frutas cítricas e troquei os canais da televisão como se comandasse tudo - controle remoto é a tentativa mais próxima de brincarmos de Deus. Só parei quando percebi que ali, do outro lado da tela, estava estampado um rosto tão familiar. Você.
Sorria e olhava para mim. Eu, atônito, cuspi chá e derrubei bolachas. Curvei-me para frente, permanecendo de joelhos em cima da cama. Quase colado na tela da televisão, tentei entender o que diabos você fazia ali, roubando o lugar do apresentador de programa de auditório dominical. O som que saía do aparelho eu não reconhecia, não sendo aquela a sua voz. Não, não podia ser. Fechei os olhos, espremi-os como criança faz quando afugenta pesadelos, e os abri novamente. Pronto, você havia desaparecido. 
Praticamente nu, corri até a sala sem nem pensar e deparei-me com minha família no sofá. Bom dia pai, como vai mamãe? Ei, espere. Havia mais alguém. De novo você, que ria junto à eles da minha falta de roupas. Sendo a timidez a última das minhas preocupações naquele momento, tentei imaginar como você havia entrado na minha casa. Até onde eu sabia, nós dois tínhamos brigado feio e minha mãe já até falava mal de você para a vizinhança toda, no intuito de não permitir que ninguém mais caísse na sua lábia. Ou nos seus olhos bonitos. Ou nesse sorriso que jamais vi alguém usando.
Pare! 
Saí porta afora, ignorando as queixas de meu pai. Cambaleei pela rua, girei no mesmo lugar, e aí foi que o desespero me possuiu tão forte que até poderiam criar uma sequência de O Exorcismo. Meus vizinhos, naquele momento, haviam derrubado suas caras feias e velhas para darem lugar a um rosto tão comum e odiado (será?) por mim: você. Sim, todos eles agora tinham cabelos loiros e olhos tão convidativos que até mesmo no escuro eu seria, de alguma forma, guiado.
Então é isso. Somente e assustadoramente isto. Meu relato de domingo a noite. 
Saiba que, por você, eu acabei enlouquecendo. Voltei no tempo e lhe trouxe de volta para mim. Uma vez estiveras presente em minha vida, e agora estás presente em pensamento. Tão forte que já me tornei uma daquelas garotas de 12 anos, que veem o "amor de suas vidas" em todos os rostos que cruzam seus caminhos. Por isso, aguarde as novidades. Muito em breve estarei rabiscando o seu nome por aí e escrevendo textos sobre minha loucura.
Espera...

Entrevista para a Rádio Fri Spit

30 maio 2012
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Foto: Lucas Fagundes

Nesta segunda-feira (14), estive na Rádio Fri Spit, de Caxias do Sul, dando entrevista sobre o lançamento de 'Você Pode Guardar um Segredo?' no programa Sinopse. Na oportunidade, pude conversar com Aline Mapelli, Camila Valentini e Fernanda Aguiar. Falamos desde a história, criação, elaboração do livro, até à Bienal de São Paulo.
Ouça nos links abaixo as duas partes da entrevista:

Origami

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   Resolveu partir cedo o sol de domingo
    No céu bicolor detentor daquela nuvem engraçada
    Tu e eu, ontem apenas conhecidos
    Hoje dividimos esse pedaço gelado de calçada

    Tudo ao redor cheira à cidade interiorana
    Calmaria que é oposto da minha feclidade de auto grau
    Cambaleando no ponto final que sempre me engana
    Quero vírgulas, reticências, etecetera e tal

    Sussurrar obrigados e pedir algumas desculpas
    Para mim isto nunca será considerado demasia
    Descubra-me hoje, ontem, e amanhã com perguntas
    Preencha tua boca enquanto tenho de mantê-la vazia

    Fator gostoso é esse de retardar o que desejo
    Deixar para amanhã, depois, ou sabe-se lá quando
    Os toques, entregas, e mentolados-achocolatados beijos
    Que venho de ti esperando, pensando... Pensando!

    Meu bem o que achas de mobiliarmos uma casa?
    Nem tintas temos para sujar as paredes inexistentes
    Quando tu ainda sonhas em voar e ter asas
    Anseio comprar o céu, fazer brilhar teu nome em estrelas cadentes

    Então desdobra-me, por favor, em infinitas partes
    Redobra-me em seguida, conforme te convir
    Faz de mim tua forma preferida, transforma-me na arte
    Que tu manterás presa contigo, jamais permitindo leiloarem por aí

Boa noite

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Na esquina de uma noite impetuosa esbarro em um abraço tão hodierno que o mesmo consegue me aquecer, proteger, segurar - ou qualquer outra função que um abraço pode ter. Despejo ali um pouco de ti, um pouco de mim. Nada de nós, pois quanto a isso eu ainda venho procurando. E Deus sabe quanto minha busca tem sido falha.
Logo em seguida eu entro em um táxi qualquer. Este, em questão, não possuí o cheiro da semana passada - aquele que sentimos quando dividimos uma corrida até as nossas casas. Nenhum frescor, nenhum vidro embaçado. Hoje, contudo, há sim companhia. Mas ela não se trata de ti. Então, para mim, resta pensar em que parte do caminho eu deixei tu dar meia volta, permanecer ali quando eu já havia ido embora, ou até mesmo ter deixado tu tomar outro táxi que não o meu. Essa noite traz silêncio, traz perda. Falta-me um beijo de despedida tão rápido que os olhos do taxista não podem acompanhar.
Derrubo meu corpo no sofá, fecho os olhos para evitar a escuridão presente na sala de estar, sem saber que está mais escuro ainda de olhos fechados. Bem, agora eu entendo. Tu e eu, um porvir fracassado. Nesse momento, então, meus pensamentos já dão mais voltas que as nossas línguas quando juntas, e para mim tudo parece óbvio. Os motivos, as razões. De segunda a quinta tu pensas em me encontrar, porém na sexta tudo é diferente. A carência tua vira querência por outrém - que, certamente, não sou eu. Então talvez eu seja mesmo essa parte chata para ti: o meio da semana. E, no final dela, tu queres se ver livre de mim. Fácil assim.
Creio que jamais terás a chance para contar quantas lágrimas por ti agora choro, pois em mim tu já morastes o tempo necessário - para um entendimento, um crescimento, e um arrependimento. Então até outro dia. Levantarei deste sofá com a certeza de que tentamos, porém apenas não deveríamos ser. E não fomos, não seremos. Melhor assim, quem sabe. Ou deveria eu voltar atrás, correr até o teu abraço (era nele que eu deveria ter estado esta noite), e tornar-me fim de semana para ti? Não sei. O meu medo, na verdade, é que você me queira como um feriado - alguém esporádico e fugaz. Quem sabe. Portanto, por enquanto, boa noite.

Especialista de ti

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E hoje me contaram que você anda ligando para ele. Dia e noite, madrugada e fim de semana. Os horários que antes eram tão e só meus. Certo, eu admito, ninguém me contou. Eu mesmo descobri. Sei que você vai me achar um louco insistente - repleto de imbecilidade, alguém desesperado que ainda gosta de você ao ponto de continuar investigando a tua vida. E, meu bem, você está com absoluta razão.
Então eu armei um plano: vou passar a te ligar o tempo todo. Há uma resistência aqui em falar com você, pois as sequelas que me causastes foram tão aparentes que nem sei se ainda te quero. Digamos então que é apenas um desejo meu de ter aquilo que não preciso. E, no caso, isso é você. Até porque se o teu amor fosse alimento, seria eu um sujeito subnutrido. Teu amor nunca cruzou meu caminho, dele eu nunca ouvi falar. Mas existiu algo entre nós, e negar isso é apenas um escapismo tão frágil quanto sempre fomos. O que me conforta, ao menos, é saber que uma ligação não irá superar. Nem duas, nem três. Tuas palavras pelo outro lado da linha devem sim, de certo modo, agradar quem as ouve. Pobre daqueles que acreditarão em tudo que você disser. Mas elas estão longe de ser tudo aquilo que me falastes. Ou melhor, tudo aquilo que tive de ler, traduzir e interpretar unicamente a partir de teus olhos. Eu, especialista de ti, o único que nunca recebeu ligação.
Não sei se você se recorda, porém não sou cético. Acredito mesmo em quase tudo. Porém, existe uma parte de mim tão ceticista que apenas não acredita que você me esqueceu. Eu sei que todas as vezes em que teu telefone toca, você pensa que irá ouvir minha voz. Não é um convencimento arriscado, muito menos um achismo. Eu apenas te conheço bem.