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Boa noite

30 maio 2012
Na esquina de uma noite impetuosa esbarro em um abraço tão hodierno que o mesmo consegue me aquecer, proteger, segurar - ou qualquer outra função que um abraço pode ter. Despejo ali um pouco de ti, um pouco de mim. Nada de nós, pois quanto a isso eu ainda venho procurando. E Deus sabe quanto minha busca tem sido falha.
Logo em seguida eu entro em um táxi qualquer. Este, em questão, não possuí o cheiro da semana passada - aquele que sentimos quando dividimos uma corrida até as nossas casas. Nenhum frescor, nenhum vidro embaçado. Hoje, contudo, há sim companhia. Mas ela não se trata de ti. Então, para mim, resta pensar em que parte do caminho eu deixei tu dar meia volta, permanecer ali quando eu já havia ido embora, ou até mesmo ter deixado tu tomar outro táxi que não o meu. Essa noite traz silêncio, traz perda. Falta-me um beijo de despedida tão rápido que os olhos do taxista não podem acompanhar.
Derrubo meu corpo no sofá, fecho os olhos para evitar a escuridão presente na sala de estar, sem saber que está mais escuro ainda de olhos fechados. Bem, agora eu entendo. Tu e eu, um porvir fracassado. Nesse momento, então, meus pensamentos já dão mais voltas que as nossas línguas quando juntas, e para mim tudo parece óbvio. Os motivos, as razões. De segunda a quinta tu pensas em me encontrar, porém na sexta tudo é diferente. A carência tua vira querência por outrém - que, certamente, não sou eu. Então talvez eu seja mesmo essa parte chata para ti: o meio da semana. E, no final dela, tu queres se ver livre de mim. Fácil assim.
Creio que jamais terás a chance para contar quantas lágrimas por ti agora choro, pois em mim tu já morastes o tempo necessário - para um entendimento, um crescimento, e um arrependimento. Então até outro dia. Levantarei deste sofá com a certeza de que tentamos, porém apenas não deveríamos ser. E não fomos, não seremos. Melhor assim, quem sabe. Ou deveria eu voltar atrás, correr até o teu abraço (era nele que eu deveria ter estado esta noite), e tornar-me fim de semana para ti? Não sei. O meu medo, na verdade, é que você me queira como um feriado - alguém esporádico e fugaz. Quem sabe. Portanto, por enquanto, boa noite.

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